Segundo informações divulgadas na semana passada pela Agência Reuters, as compras de soja pela China devem diminuir nos próximos meses em virtude da fraca demanda por ração e também em função das margens negativas de esmagamento, colocando em dúvida se realmente os embarques da oleaginosa dos EUA para o país asiático vão evoluir de conformidade com as necessidades dos produtores norte-americanos.

DETALHE: Processadoras privadas de soja na China já estão cobertas em relação à maior parte de suas necessidades até o Ano-Novo Lunar, no início de fevereiro, com suprimentos do Brasil, da Argentina e das reservas estatais.

A crise energética decorrente da guerra no Oriente Médio elevou os custos das famílias na China e dos produtores de suínos, também com reflexos na demanda pela principal proteína animal consumida no mundo, sendo o país asiático o maior produtor e consumidor.

Nesse sentido, a evolução nos próximos meses no processamento de soja pelas usinas da China pode se constituir num driver determinador do mercado da oleaginosa.

Também esta semana, foi divulgado pelo Departamento de Agricultura do Ministério da Economia da Argentina que o país sul-americano deverá processar soja em seu maior nível em dez anos. Segundo a informação divulgada também pela Reuters, o volume de esmagamento cresceu 8,8% em agosto na Argentina, comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

É bom considerar que este fato reforça o posicionamento das processadoras da China em reduzir compras de soja em grão neste momento, sobretudo tendo conhecimento de que a maior exportadora de farelo e óleo de soja do mundo deverá ofertar uma quantidade recorde destes derivados ao mercado nos próximos meses.

Nessa conjuntura, não é difícil imaginar que os preços da soja deverão, sim, ficar mais pressionados nos próximos meses. Lógico que, nessa equação, o clima para o bom desempenho da safra sul-americana, com destaque para a brasileira, deverá ser monitorado de perto, e as oscilações dos preços em Chicago fundamentalmente vão se referenciar nesse fator e, claro, na demanda da China.