A carne suína é disparada a mais consumida no mundo e, por esse motivo, toda crise pela qual passa o setor representa, em termos econômicos, algo mais abrangente. Embora o setor passe por dificuldades, não deixou de ser competitivo quando se observa a quantidade demandada. O problema é a indisposição dos consumidores em consumir as mesmas quantidades aos mesmos custos. Dessa forma, os movimentos dos setores produtivos para promover ações no sentido de reduzir a oferta numa ponta e os custos em outra são, sem dúvida, um desafio e tanto no momento. Ironicamente, esse movimento acontece em um período em que, via de regra, os investimentos na atividade crescem visando ao consumo maior no quarto trimestre.
Aspectos da crise
Nesta semana, segundo informações divulgadas pelo site agrimidia.com.br, a Associação Nacional de Produtores de Suínos da Inglaterra (NPA, na sigla em inglês) formalizou um pedido de apoio financeiro e intervenção emergencial ao Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (DEFRA). A entidade busca socorrer os criadores de suínos localizados na Inglaterra, afetados por uma onda de cancelamentos de contratos promovida pelos maiores frigoríficos do país, em razão do excesso de oferta no mercado interno.
Ao mesmo tempo, no Brasil, um movimento intitulado “Vai de Carne Suína” está sendo lançado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), e está programado para ser executado entre os dias 1º e 18 de outubro. A ideia é mitigar os efeitos da maior disponibilidade da proteína no mercado interno, que vem pressionando os preços e as margens do setor.
Mercado externo
Para corroborar a crise no mercado interno, dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) demonstraram, em sua última publicação, que as exportações de carne suína de janeiro a agosto de 2026 cresceram 8,9% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, o faturamento caiu 4,8%, devido à queda de 3,8% no preço médio no período. Uma demonstração clara das dificuldades financeiras que afetam a renda das famílias, não só no Brasil. Lamentavelmente, a escalada da guerra no Oriente Médio acentua a crise energética, o que traz incerteza quanto à melhora do desempenho do consumo de proteína como um todo, sobretudo a suína, que, por ser a mais consumida, tem, é claro, maior representatividade sobre as expectativas de um momento melhor.





