A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou na última semana a estimativa para a safra 2026/27 de milho para o Brasil em 148 milhões de toneladas, quantidade que, se confirmada, vai se constituir em um novo recorde. No mesmo relatório, foram projetados estoques finais de 14,5 milhões de toneladas, considerados confortáveis, levando-se em conta o consumo doméstico.
Trata-se de uma boa notícia para os consumidores desse crucial cereal, sobretudo os produtores de proteína animal e as indústrias de etanol. Mas é cedo para ser tão assertivo nesse aspecto. A favor, conta a boa oferta sul-americana, com destaque para a Argentina, com produção recorde já anunciada de 71 milhões de toneladas e com bons excedentes para exportação.
As dúvidas de que o Brasil atinja sua meta de exportar ao menos 40 milhões de toneladas, neste particular, destacam-se pelas dificuldades de embarques para o Irã, disparado o maior cliente do Brasil, onde a guerra no Golfo só escala e as dificuldades de chegar até os portos do país são imensas.
Por outro lado, pesa por uma melhor liquidez a quebra na safra de milho na Europa — a França, maior produtora do bloco, anunciou perdas acima de 40% —, a queda na safra norte-americana já anunciada pelo USDA, que pode ser maior, uma vez que a safra ainda está em curso, e os efeitos climáticos no final deste ano e suas consequências para a semeadura do milho de segunda safra.
Como se vê, são muitos elementos a se considerar no que se refere a chegarmos ao final desse ciclo com estoques confortáveis. Pelo sim, pelo não, vale a pena ficar de olho nos preços futuros, principalmente na B3, bolsa brasileira, que trabalha com o preço do milho com referência na praça de Campinas, com preços tanto para contratos com vencimento em janeiro como em março acima de R$ 80,00 a saca.
Neste caso, de olho na conjuntura atual, para o consumidor seria o momento de se apressar e ficar coberto, caso se confirme o que a bolsa sinaliza. Para o produtor, que está ainda semeando o milho de verão, operar fazendo seguro de baixa é sempre uma boa opção, garantindo uma margem mínima para cobrir seus custos.





