
O mercado de commodities agrícolas opera sob forte pressão nesta semana. A escalada do conflito no Oriente Médio, somada a riscos climáticos em importantes polos produtores, tem garantido suporte aos preços dos grãos na Bolsa de Chicago (CBOT).
A tensão geopolítica, marcada pela ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e a possibilidade de intervenção militar dos EUA, acendeu o alerta sobre o suprimento global de insumos. A região do Golfo Pérsico é um dos principais centros de produção de fertilizantes nitrogenados.
Como as lavouras de trigo e milho são altamente dependentes desse insumo, o mercado já precifica uma possível escassez ou encarecimento logístico, o que impulsiona as cotações no curto prazo.
Além do cenário político, o mercado climático voltou ao radar dos investidores:
Trigo: A seca nas grandes planícies dos Estados Unidos, aliada a condições adversas na Rússia e na Austrália, gera apreensão entre os consumidores e sustenta os valores do cereal.
Milho: O grão acompanha a alta do trigo e encontra suporte adicional nas incertezas climáticas da América do Sul, onde a safrinha brasileira entra em estágio crucial de definição de produtividade.
Por outro lado, o plantio da safra norte-americana de 2026 apresenta um ritmo acelerado, superando tanto a média histórica quanto os índices registrados em 2025, o que sinaliza — ao menos inicialmente — boas expectativas de oferta futura.
Apesar das boas projeções de colheita nos EUA, o cenário global é de cautela. O mercado aguarda avanços nas negociações para a liberação do tráfego marítimo no Oriente Médio. Enquanto isso, produtores enfrentam um dilema: como gerir o aumento real nos custos de produção diante de uma demanda global incerta e de uma conjuntura que aponta para o avanço da inflação mundial.
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