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Geopolítica no Estreito de Ormuz eleva incertezas, mas mercado volta o olhar para fundamentos das safras

Impasse geopolítico no Oriente Médio encarece custos, mas mercado de commodities foca na produtividade da safra 26/27 para definir preços.

23/04/2026 às 20h01 Atualizada em 23/04/2026 às 20h14
Por: Redação Fonte: João Luis Nogueira / Agrotrend
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O conflito no Oriente Médio, envolvendo EUA, Irã e Israel, completa dois meses de duração em um cenário que desafia as previsões iniciais de uma resolução rápida. Desde o início das hostilidades em fevereiro de 2026, o comércio global com o Golfo Pérsico enfrenta gargalos logísticos severos, marcados por tréguas frágeis e impasses diplomáticos.

O Gargalo Logístico e Energético

A disputa central concentra-se no Estreito de Ormuz, via por onde escoa 20% do petróleo mundial e insumos cruciais como gás e óleo diesel. O controle intermitente do tráfego pelo Irã e os bloqueios navais impostos pelos EUA geraram uma crise energética acentuada, impactando diretamente os custos de produção global.

Impacto nos Fertilizantes e no Milho

Para o produtor de grãos, o alerta é crítico:

  • Fertilizantes: A região é a principal exportadora de nitrogenados (ureia).

  • Redução de Área: Devido à escassez e ao custo dos insumos, os EUA já sinalizam uma redução na área plantada de milho.

  • Oferta Global: Estima-se uma queda de até 20 milhões de toneladas na oferta mundial do cereal.

Tendência: Com o plantio da safra americana em curso, o mercado começa a deslocar o foco do ruído geopolítico para os fatores fundamentais (oferta e demanda). O clima e a produtividade da safra 26/27 passam a ser os protagonistas nas mesas de negociação, enquanto o setor produtivo se adapta para manter o fluxo de negócios diante de um conflito sem data para acabar.