PORTO DE ORMUZ - Após a celebração de uma trégua de duas semanas entre EUA, Irã e Israel, o Estreito de Ormuz, via vital por onde escoa aproximadamente 20% do petróleo mundial, iniciou uma liberação parcial do fluxo de embarcações. A reabertura ocorre em um momento de extrema fragilidade geopolítica, após o mundo acompanhar com apreensão as ameaças do presidente Donald Trump de uma ofensiva total contra o Irã, caso a via não fosse desobstruída.
A mediação bem-sucedida do Paquistão evitou, momentaneamente, um confronto de proporções imprevisíveis para a economia global. Entretanto, o otimismo durou pouco. Apenas algumas horas após o aperto de mãos, Israel promoveu um bombardeio de larga escala contra Beirute, capital do Líbano, inflamando novamente os ânimos na região.
Como resposta imediata à ofensiva israelense, a Agência Reuters informou nesta quinta-feira (9) que o governo iraniano impôs novas restrições:
O Irã não permitirá que a passagem pelo estreito ultrapasse 15 navios por dia.
Este volume é considerado insuficiente para dar vazão à demanda represada desde o dia 28 de fevereiro, início do conflito.
A indefinição sobre a normalização do fluxo atinge não apenas o mercado de combustíveis, mas também o suprimento de gás natural e fertilizantes nitrogenados (como a ureia). O cenário atual projeta uma pressão inflacionária global severa:
Custos de Logística: Fretes e seguros marítimos continuam em patamares elevados.
Inflação Global: Analistas já revisam para cima a precificação de produtos básicos para o corrente ano.
Risco Energético: Especialistas alertam que podemos estar diante do terceiro choque do petróleo, evidenciando a perigosa dependência global dos recursos vindos do Golfo Pérsico.
Apesar da postura ofensiva de Israel, a comunidade internacional mantém o foco na diplomacia, torcendo para que as negociações de paz evoluam antes que a crise energética se torne irreversível para o crescimento mundial.