O fechamento do Estreito de Ormuz impõe desafios logísticos ao Brasil, maior exportador mundial da proteína; rotas alternativas pela Arábia Saudita são a aposta do setor para manter o abastecimento.
O Brasil consolida-se hoje como o maior exportador de carne de aves do mundo, destinando aproximadamente 35% de sua produção nacional ao mercado externo. Desse volume, cerca de 30% é absorvido pelos países do Golfo Pérsico, com destaque para gigantes comerciais como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.
Embora o debate sobre os conflitos no Oriente Médio costume gravitar em torno do petróleo — região responsável por 20% do abastecimento global e insumos cruciais como diesel e fertilizantes, o impacto na segurança alimentar ganha relevância. Historicamente dependentes de importações financiadas pelos "petrodólares", as nações do Golfo enfrentam agora o risco de desabastecimento e inflação de alimentos.
A questão central da crise reside no controle do Estreito de Ormuz. Sob domínio do Irã, a via é um ponto nevrálgico: o fechamento do canal não apenas interrompe a saída de energia, mas cria barreiras severas para a entrada de mercadorias, incluindo a proteína animal brasileira.
Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (31/03), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou as estratégias de mitigação do setor:
Rotas Terrestres: O transporte via Arábia Saudita tem sido utilizado para contornar o bloqueio marítimo.
Manutenção de Mercado: Segundo a entidade, as alternativas logísticas buscam garantir que o alcance dos mercados já conquistados no Oriente Médio não seja comprometido.
Apesar do otimismo institucional, analistas alertam para os riscos de uma escalada no conflito. Uma guerra mais abrangente resultaria em um aumento expressivo nos custos logísticos, pressionando as margens de lucro dos produtores brasileiros.
O reflexo direto deve ser sentido com força no Paraná, especialmente na região Oeste. Como principal núcleo de produção e exportação de frango do país, as granjas paranaenses estão no final de uma cadeia que é extremamente sensível às oscilações do frete internacional e do preço dos insumos globais.