Nesta segunda-feira (23), as cotações do trigo na Bolsa de Chicago voltaram a operar abaixo dos US$ 6,00 por bushel, atingindo US$ 5,85. Uma queda de 1,64% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
O movimento levanta questionamentos: se os fatores fundamentais seguem os mesmos, o que mudou? Na semana passada, o trigo foi o grão que mais ganhou tração, encerrando o período a US$ 6,14 (alta de 1,80% no contrato de vencimento mais curto). Naquele momento, o mercado justificava a alta com problemas logísticos no Mar Negro e no Estreito de Ormuz, que geravam incertezas na comercialização e impulsionavam os preços.
Contudo, embora o petróleo seja a commodity mais afetada por esses gargalos logísticos e seu barril tenha registrado altas expressivas, os grãos não acompanharam esse desempenho na mesma proporção. O trigo foi a exceção, com evolução de 1,80% até o dia 19. No entanto, a tendência já começou a ceder no dia 20, consolidando a queda nesta segunda-feira.
Atualmente, o mercado reage a uma dinâmica de oferta global abundante frente a uma demanda cautelosa. Vale ressaltar que este cenário já estava presente na semana anterior, o que torna a alta significativa da última semana difícil de ser sustentada apenas pelos fundamentos.
No cenário brasileiro, o mercado físico segue com negociações em ritmo lento. Segundo a consultoria Safras & Mercado, compradores e vendedores mantêm uma postura de cautela: os moinhos estão abastecidos para o curto prazo, enquanto os produtores permanecem retraídos, aguardando melhores condições de preço.
Em meio à volatilidade, onde fatores geopolíticos e fundamentos dividem o peso sobre as cotações, a atenção do produtor deve ser redobrada. Soma-se a isso o fato de que a Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, apresenta ótimas condições de safra para abastecer o mercado nacional.
Dessa forma, os fatores de oferta devem ser analisados com extremo critério por quem planeja a semeadura, especialmente em um momento onde os custos de produção tendem a subir em um ritmo imprevisível.