A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em apenas 0,25% decepcionou o mercado e, sobretudo, os setores ligados à produção e ao consumo, justamente aqueles que fazem a roda da economia girar.
Enquanto investidores de renda fixa atrelada à Selic seguem satisfeitos, os argumentos técnicos para a manutenção de juros tão elevados perdem força. Os principais indicadores usados pelo BC, inflação e câmbio, apresentaram quedas acentuadas nos últimos meses. Atualmente, a inflação situa-se bem abaixo do teto da meta (4,5%), e o dólar tem encontrado dificuldade para romper a barreira dos R$ 5,20.
Para o setor do Agro, o cenário é desafiador. Os custos de produção subiram devido aos conflitos no Oriente Médio, que encarecem o petróleo e, consequentemente, os insumos e o transporte. O aumento do óleo diesel já gera, inclusive, rumores de greve entre os caminhoneiros, um movimento que seria catastrófico no momento em que o Brasil escoa uma safra recorde de soja para os portos.
Uma redução mais expressiva dos juros demonstraria que o Banco Central prioriza a proteção do trabalhador e do produtor neste momento de crise. No entanto, a autoridade monetária optou, mais uma vez, por blindar o mercado financeiro, temendo sua reação.
Infelizmente, a conta continua alta para quem produz e consome no Brasil.