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Quando o AGRO vai além do clima
A crescente dependência dos fatos geopolíticos
21/02/2026 14h49
Por: Redação Fonte: João Luis Nogueira

Houve um tempo em que a produção de bens e serviços esteve diretamente associada aos fatores fundamentais de mercado, especialmente à relação entre oferta e demanda. No caso das commodities do agronegócio, durante o ciclo das culturas, compradores e vendedores concentravam sua atenção quase exclusivamente nas estimativas de produção e nas condições climáticas, determinantes para que a safra se confirmasse dentro do esperado.

Nesse contexto, consolidou se o entendimento de que a evolução da produção agropecuária dependia da combinação de três fatores: homem e mulher, terra e tecnologia. Essa lógica foi decisiva para o avanço do setor por décadas, especialmente a partir da criação da EMBRAPA, em 1973, que impulsionou a produtividade e colocou o Brasil em posição de destaque na produção mundial de alimentos

A partir dos anos 2000, esse movimento se intensificou também em países da Oceania e da América do Sul. A criação da Organização Mundial do Comércio, em 1995, contribuiu para esse processo ao ampliar o acesso a mercados antes restritos, fortalecendo o comércio internacional de commodities.

Hoje, no entanto, torna se necessário acrescentar um novo fator a essa equação: a tecnologia da informação. A rapidez na circulação de dados entre os agentes do complexo agroindustrial passou a influenciar diretamente a eficiência e a competitividade do setor.

O desafio atual, porém, não está mais na velocidade da informação, mas em sua confiabilidade. Conflitos geopolíticos envolvendo economias estratégicas passaram a afetar a percepção de risco, gerar incertezas e influenciar decisões de investimento. Esse ambiente se reflete nas bolsas de mercadorias, tornando cada vez mais difícil para compradores e vendedores se posicionarem com previsibilidade.

Trata se de um risco crescente, complexo de administrar e que tende a persistir ao longo de 2026. Uma pena.